Negociação avançou com termo de confidencialidade já assinado, mas investigadores sinalizam que só haverá acordo se a colaboração trouxer fatos novos, provas robustas e alcance amplo.

A possível delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro entrou em uma fase sensível e estratégica em Brasília. Com termo de confidencialidade já firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF), a negociação passou a ser tratada como uma etapa decisiva do caso Banco Master, mas sem espaço para blindagem ampla ou colaboração seletiva. Nos bastidores, o recado dado ao investigado é que qualquer acordo só terá chance de avançar se vier acompanhado de informações novas, consistentes e comprováveis.
O caso também ganhou peso institucional porque a condução da eventual colaboração envolve, ao mesmo tempo, PF, PGR e o Supremo Tribunal Federal. André Mendonça é o relator das investigações no STF, e a Segunda Turma já confirmou a prisão preventiva de Vorcaro no âmbito do caso Master, reforçando a pressão jurídica sobre o banqueiro. A própria troca de defesa e a reunião do novo advogado com Mendonça foram lidas em Brasília como sinais claros de que a possibilidade de delação deixou de ser especulação e passou a integrar o tabuleiro real das investigações.
Outro fator que amplia a tensão é o calendário eleitoral de 2026. Fontes ouvidas pela imprensa apontam que o processo de colaboração pode durar de três a seis meses, o que colocaria a reta final das negociações entre o fim de junho e setembro, já no ambiente das convenções e da propaganda eleitoral. Nesse cenário, investigadores e operadores do caso tentam evitar que a delação seja contaminada por acusações de interferência política ou usada como instrumento de disputa eleitoral.
A avaliação predominante entre os órgãos envolvidos é que não haverá “delação pela metade”. Vorcaro terá de entregar um conjunto amplo de informações e elementos de corroboração para, só então, discutir eventuais benefícios penais, como redução de pena ou progressão de regime. Em outras palavras, a colaboração que pode abalar setores da política, do sistema financeiro e até do Judiciário já começou cercada de exigências máximas e com margem mínima para manobras.



