Gaeco avança sobre esquema de licitações na fronteira e afasta servidores em nova fase da Operação Pretense

Mandados foram cumpridos em quatro cidades de Mato Grosso do Sul, com tornozeleira eletrônica, restrições judiciais e foco em suspeitas de corrupção, fraude e desvio de dinheiro público

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Gaeco, deflagrou na manhã desta terça-feira, 31 de março, a segunda fase da Operação Pretense, batizada de “Mão Dupla”, para aprofundar a investigação sobre um suposto esquema de fraudes em licitações e contratos públicos na região de fronteira. Ao todo, foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão, além de 13 medidas cautelares, 2 buscas pessoais e 2 ordens de afastamento do exercício de função pública nas cidades de Coronel Sapucaia, Amambai, Ponta Porã e Caarapó.

Segundo o MPMS, a nova etapa da investigação apura indícios de fraude a processos licitatórios, peculato-desvio, corrupção passiva e pagamentos irregulares em contratos públicos, com envolvimento suspeito de agentes políticos, secretários, servidores e empresários ligados ao município de Coronel Sapucaia. Entre as restrições impostas pela Justiça estão a proibição de acesso a dependências da administração pública, o impedimento de contato entre investigados e a monitoração eletrônica por tornozeleira.

O nome da operação, “Mão Dupla”, faz referência a uma expressão que, conforme os investigadores, era usada nas tratativas ilegais: “Você me ajuda que eu te ajudo”. Para o Ministério Público, o bordão sintetiza a lógica de favorecimento mútuo que teria sustentado o suposto esquema dentro da estrutura pública municipal.

A ofensiva desta terça é desdobramento da primeira fase da Operação Pretense, realizada em 18 de dezembro de 2024, quando o foco recaiu sobre contratos da Prefeitura de Coronel Sapucaia e empresas ligadas a um grupo familiar do município. Na ocasião, uma das suspeitas levantadas envolvia um contrato de cerca de R$ 9,18 milhões para a construção do hospital municipal.

Durante a nova fase, imagens divulgadas pela operação mostraram ainda a apreensão de dinheiro em espécie e de uma pistola, elementos que ampliam o peso simbólico da ofensiva e reforçam a gravidade do material recolhido pelos investigadores. Embora o MPMS não tenha detalhado oficialmente cada apreensão, os registros divulgados ao longo do dia indicam um avanço importante no cerco aos alvos da investigação.

Após repercussão da operação, a Prefeitura de Ponta Porã divulgou nota oficial afirmando que não possui qualquer relação com a Operação Pretense, que não foi alvo de mandados e que não figura como investigada. Segundo o município, eventual medida cumprida na cidade ocorreu em endereço privado e envolveu pessoa sem vínculo com a atual gestão.

Com a nova etapa da Pretense, o Ministério Público amplia a pressão sobre um caso que atinge o coração das contratações públicas em uma área estratégica da fronteira sul-mato-grossense. A investigação agora entra em fase decisiva para esclarecer se o que era tratado nos bastidores como “mão dupla” funcionava, na prática, como um esquema estruturado de troca de favores e desvio de recursos públicos.