Às vésperas da eleição, Orbán fala em “conspiração” e acirra tensão política na Hungria

A dois dias das eleições legislativas na Hungria, o primeiro-ministro Viktor Orbán elevou o tom contra adversários e acusou rivais de articularem uma “conspiração” para desestabilizar o país e questionar o resultado das urnas.

No poder desde 2010, Orbán tenta conquistar um quinto mandato em meio a um cenário eleitoral mais incerto do que em disputas anteriores. Pesquisas indicam que ele aparece atrás do principal oponente, Peter Magyar, líder do partido conservador Tisza e defensor de uma agenda mais alinhada à União Europeia.

Acusações e clima de tensão

Em publicação nas redes sociais, Orbán afirmou que seus adversários estariam “conspirando com serviços de inteligência estrangeiros” para interferir no processo democrático. Ele também mencionou supostas ameaças de violência, denúncias de fraude eleitoral e protestos organizados antes mesmo da apuração dos votos.

Do outro lado, Peter Magyar reagiu pedindo calma à população e reforçando a necessidade de respeito ao resultado das urnas. O opositor também acusou o governo de promover desinformação e práticas irregulares ao longo dos últimos meses de campanha.

Apoio internacional e disputa acirrada

A eleição ganhou contornos internacionais após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar apoio público a Orbán, chamando-o de “amigo” e “vencedor”. A proximidade entre os dois líderes reforça a aliança política entre o governo húngaro e setores conservadores norte-americanos.

Ao mesmo tempo, Magyar chegou a alertar para uma possível tentativa de influência externa no pleito, especialmente após a visita recente do vice-presidente americano ao país.

Relações tensas com a Europa

Apesar do apoio internacional, Orbán mantém uma relação conturbada com a União Europeia. Ao longo de seus anos no poder, o premiê tem sido criticado por políticas consideradas restritivas à imprensa, ao Judiciário e a direitos civis.

Como consequência, o bloco europeu já congelou bilhões de euros em recursos destinados ao país, citando preocupações com o Estado de direito.

Com menos de 10 milhões de habitantes, a Hungria chega à votação deste domingo (12) sob um clima de forte polarização política, desconfiança institucional e atenção internacional redobrada sobre o resultado.