Trump volta a atacar aliados da Otan, chama países de “covardes” e eleva tensão em meio à guerra com o Irã

Presidente dos EUA reclamou da falta de apoio direto dos parceiros ocidentais no confronto e disse que Washington “vai se lembrar” da postura adotada

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a subir o tom contra os aliados da Otan nesta sexta-feira (20) ao classificá-los como “covardes” em meio aos desdobramentos da guerra contra o Irã. Em publicação nas redes sociais, o republicano afirmou que os países da aliança militar não quiseram participar diretamente da ofensiva para impedir Teerã de obter capacidade nuclear e também não atuaram, segundo ele, para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o transporte global de petróleo.

A nova declaração de Trump aprofunda o desgaste com parceiros tradicionais dos Estados Unidos num momento de forte instabilidade geopolítica. O presidente americano afirmou que, sem Washington, a Otan seria um “tigre de papel” e acusou os aliados de se beneficiarem da ação militar liderada pelos EUA sem assumir riscos proporcionais no conflito.

Na mensagem, Trump criticou ainda o fato de os europeus, segundo ele, reclamarem da alta do preço do petróleo, mas não se engajarem de forma efetiva na tentativa de normalizar a navegação no Estreito de Ormuz, área considerada central para o abastecimento energético mundial. A passagem marítima, localizada no Oriente Médio, é uma das mais sensíveis do planeta e responde pelo trânsito de cerca de 20% de todo o petróleo consumido globalmente.

“Sem os EUA, a Otan é um tigre de papel. Eles não quiseram entrar na luta para impedir um Irã com capacidade nuclear. Agora que essa luta está vencida militarmente, com muito pouco risco para eles, reclamam dos altos preços do petróleo que são obrigados a pagar, mas não querem ajudar a abrir o Estreito de Ormuz”, afirmou Trump. Na sequência, o presidente concluiu a publicação com o ataque mais duro: “Covardes, e nós vamos nos lembrar”.

A crítica ocorre mesmo após declarações de países como Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Holanda — todos integrantes da Otan — além do Japão, sinalizando disposição para colaborar na liberação do Estreito de Ormuz. Apesar do gesto político, essas nações ainda não detalharam de que forma essa ajuda poderia ocorrer, o que manteve em aberto o grau de comprometimento prático de cada governo com a operação.

A fala de Trump reforça uma marca recorrente de sua política externa: a cobrança pública e direta contra aliados históricos, especialmente os europeus. Ao longo de sua trajetória política, o republicano já demonstrou insatisfação com o que considera dependência excessiva de outros membros da Otan em relação ao poderio militar e logístico dos Estados Unidos. Agora, em meio a um conflito de grandes proporções com o Irã, o discurso voltou a ganhar intensidade.

Nos bastidores, a declaração também amplia o ruído diplomático dentro da própria aliança atlântica. Isso porque a Otan é formada por 32 países, incluindo os Estados Unidos, o Canadá e 30 nações europeias, e depende de coordenação política constante para manter coesão em cenários de crise. Ataques públicos do presidente americano contra parceiros estratégicos tendem a dificultar essa articulação e a expor divergências sobre o grau de envolvimento na guerra.

Na quinta-feira (19), o tom duro já havia sido antecipado por integrantes do governo americano. O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, chamou aliados europeus de “ingratos”, indicando que a insatisfação de Washington não estava restrita apenas à retórica presidencial. A avaliação dentro do governo é de que os EUA continuam assumindo o peso central das ações militares e estratégicas, enquanto outros países hesitam em transformar apoio diplomático em participação concreta.

O Estreito de Ormuz se tornou um dos focos centrais da crise por seu valor econômico e militar. Qualquer bloqueio ou instabilidade na região tem impacto imediato sobre o mercado internacional de energia, pressionando preços e elevando a preocupação de governos e investidores ao redor do mundo. Por isso, a cobrança de Trump aos aliados também dialoga com as consequências econômicas da guerra, especialmente no momento em que o custo do petróleo voltou a preocupar economias ocidentais.

A nova investida verbal do presidente americano deixa claro que, além do confronto militar com o Irã, os Estados Unidos enfrentam também um ambiente de tensão política com seus próprios parceiros. Ao transformar divergências estratégicas em ataque público, Trump pressiona aliados a demonstrar maior disposição operacional, mas também corre o risco de aprofundar divisões dentro de uma das alianças militares mais importantes do mundo.

O episódio evidencia que, mesmo diante de uma crise internacional de grandes proporções, a relação entre Washington e os membros da Otan segue marcada por cobranças, desconfiança e divergências sobre quem deve assumir os maiores custos da segurança global.