Ativistas afirmam que regime iraniano intensificou repressão contra opositores, manifestantes e presos políticos em meio à crise interna e pressão internacional
Organizações internacionais de direitos humanos denunciaram um forte aumento nas execuções promovidas pelo governo do Irã contra dissidentes, manifestantes e opositores políticos nas últimas semanas. Segundo ativistas, o regime iraniano estaria aproveitando o cenário de tensão internacional para ampliar a repressão interna e silenciar críticas ao governo.

De acordo com a ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, o número de execuções no país atingiu níveis considerados alarmantes. O diretor da entidade, Mahmood Amiry-Moghaddam, afirmou que prisões políticas vivem um “clima permanente de terror” diante das execuções quase diárias registradas recentemente.
Relatórios divulgados por grupos de direitos humanos apontam que ao menos 1.639 pessoas foram executadas no Irã em 2025, o maior número registrado nas últimas décadas e um aumento de cerca de 68% em relação ao ano anterior. Entre os executados estariam manifestantes, integrantes de grupos de oposição, acusados de espionagem e pessoas ligadas aos protestos contra o regime.
Segundo a ONU, milhares de iranianos foram presos desde o início da nova onda de repressão. Estimativas indicam que mais de 4 mil pessoas foram detidas sob acusações relacionadas à “segurança nacional”, termo frequentemente utilizado pelas autoridades iranianas para justificar perseguições políticas.
Ativistas relatam que muitos presos enfrentam julgamentos rápidos, sem direito pleno à defesa ou acesso adequado a advogados. Em alguns casos denunciados por ONGs internacionais, condenados teriam sido executados poucos dias após serem sentenciados.
Um dos relatos mais impactantes veio do ativista estudantil Zia Nabavi, conhecido opositor do regime iraniano. Segundo ele, o ambiente dentro das alas políticas das prisões se transformou em um cenário de medo absoluto.
“Nem ouso imaginar o que as execuções sucessivas provocaram nos últimos dias”, declarou o ativista em publicação nas redes sociais.
As denúncias também apontam que parte das execuções estaria ocorrendo de forma sigilosa, sem divulgação oficial do governo iraniano. Organizações de direitos humanos afirmam que familiares das vítimas sofrem pressão para permanecer em silêncio e, em alguns casos, sequer recebem informações completas sobre os processos judiciais.
Além das execuções, o governo iraniano vem sendo acusado de intensificar censura, vigilância digital e repressão policial contra protestos populares iniciados após crises econômicas, denúncias de corrupção e mortes durante manifestações anteriores.
A comunidade internacional acompanha a situação com preocupação crescente. Organizações como a Amnistia Internacional pedem sanções mais severas contra autoridades iranianas envolvidas nas repressões e cobram investigações independentes sobre possíveis violações de direitos humanos dentro do país.





